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D. Duarte Pio, Duque de Bragança e herdeiro
à coroa da Casa Real Portuguesa Visita
Sesimbra
No sábado 16 de Maio de 2009, D. Duarte Pio, Duque de Bragança e herdeiro à
coroa da Casa Real Portuguesa visitou Sesimbra no âmbito da exposição D.
Carlos que está aberta ao público na Biblioteca municipal em Sesimbra.

de 12 a 30 de Maio
E X P O S I Ç Ã O D E F O T O G R A F I A
D. Carlos – Um Rei
Constitucional
Comissão D. Carlos 100 Anos
– Fundação D. Manuel II
de terça a sexta, das 9.30 às 17.30h,
sábados, das 10 às 18h
Átrio da Biblioteca
Municipal de Sesimbra
dia 16 | sáb | 15.30h -
C O N F E R Ê NC I A
D. Carlos – Um Rei -
Constitucional
A ligação do Rei D. Carlos a Sesimbra,
ao Mar e à Oceanografia.
• Participação: Rui Ramos, Carlos Sousa Reis e
Nuno Van Uden.
• Colaboração: Fundação D. Manuel II
Sala Polivalente, -
Biblioteca Municipal de Sesimbra
Tendo
sido recebido no hotel do Mar pelo Presidente da Junta de Freguesia de
Santiago e restantes membros da Junta.
Por iniciativa de D. Duarte,
manifestada previamente, a visita foi alargada à actividade marítima tendo
visitado as instalações do Clube Naval de Sesimbra.
No Clube Naval D. Duarte foi recebido pelo Presidente da Direcção, Lino
Correia e Vice Presidente da Assembleia Geral, César Pratas, acompanhado por
outros directores e associados.
A comitiva teve depois a oportunidade de
conhecer a vida recente e passada do Clube numa apresentação efectuada por
Lino Correia, com especial destaque para as falsas expectativas geradas pelo
parque marinho, que não está a ser uma mais valia para o "cluster" do mar em
Sesimbra, devido às absurdas limitações e proibições à navegação e fundeação
das embarcações de recreio.
De seguida o Dr. João Aldeia Director do jornal
Sesimbrense apresentou depois numa sucinta mas clara exposição à história
marítima de Sesimbra, que mereceu a atenção e algumas interessantes
perguntas de D. Duarte e de alguns membros da comitiva.
O CN Sesimbra, na pessoa do seu Presidente ofereceu uma caravela a D. Duarte
para manter viva esta visita e convidou Sua Alteza Real a participar no
Torneio de Pesca ao Espadarte José Pinto Braz a realizar em Outubro de 2009
e na XI Regata Naval de Sesimbra em Abril de 2010.
A comitiva dirigiu-se depois para o restaurante Canhão II, onde foi
apreciada uma excelente caldeirada de peixes de Sesimbra, confeccionada pelo
"Chef" Daniel Piedade, acompanhada com vinhos da região e que mereceu
elogios de todos os comensais.
Após o almoço seguiu-se a conferencia D. Carlos I, na qual estiveram
presentes muitos sesimbrenses e o Sr. Presidente da Câmara Municipal, que
ficaram a saber pelos oradores do papel do Rei D. Carlos, desde político, a
oceanógrafo e homem das artes e cultura, designadamente as muitas visitas no
yatch Amélia aos mares de Sesimbra, nas suas pesquisas estudos
oceanográficos, em que tinha a colaboração de muitos pescadores de Sesimbra.
A muito propósito, a referência de António Reis Marques, na revista Maio da
Sesimbra Acontece, publicada pela CMS, ao Mestre Diogo, pescador que muito
colaborou com o Rei D. Carlos. |
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Texto Publicado no
Sesimbr'Acontece da C.M.S. da Autoria de
António Reis Marques.
Porque disso não ficou
qualquer notícia, não sabemos
se o rei D. Carlos recebeu
alguma individualidade
sesimbrense durante as
muitas vezes que permaneceu
na baía de Sesimbra.
O que realmente sabemos,
através de vários testemunhos
que chegaram aos nossos
dias, foi que o monarca
recebia habitualmente, a
bordo do iate real, um grupo
escolhido de pescadores locais
que lhe davam colaboração
nos seus estudos de oceanografia
e das pescas, efectuados
na nossa costa.
E ficou também conhecida
a grande estima e apreço que
o rei devotava a esses pescadores,
cujo saber e engenho
enaltecia com admiração.
Dentre todos relevava um
dos mais afamados mestres
de pesca, de seu nome Diogo
Justino dos Reis, então considerado
expoente dum tradicional
escol de pescadores
que tornaram Sesimbra num
dos mais notáveis centros piscatórios
do país.
Nascido em 23 de Março de
1863, no seio de uma família
que contava várias gerações
de homens do mar, o
arrais
Diogo, como era vulgarmente
conhecido, embora
nunca tivesse frequentado
qualquer escola, desde bem
cedo porém revelara dotes de
inteligência, que o distinguia
dos seus pares, para além de
uma invulgar capacidade de
aprendizagem de tudo quanto
se relacionava com a vida
marítima.
Profundo conhecedor das
lides da pesca, onde desde
criança fora iniciado pelos
mais velhos, segundo a tradição,
Diogo impressionava
o rei quando, navegando nas
nossas águas costeiras, mencionava os nomes dos vários
mares, as distâncias a que
ficavam da baía, a natureza
dos fundos, se eram arenosos
ou rochosos, as respectivas
profundidades em braças,
as migrações dos peixes, as
zonas
e épocas do ano em que
se capturava esta ou aquela
espécie, e os melhores métodos
para as pescar.
Aliava a tudo isso aquilo
que se poderia chamar de
meteorologia
dos pescadores,
pelo conhecimento das
correntes
marítimas, do rumo
dos ventos, das fases lunares,
da orientação pelas estrelas,
da leitura das nuvens e dos
crepúsculos como indícios de
bom ou mau tempo.
Cativado pela sabedoria
daquele homem iletrado, o
soberano fez dele o companheiro
predilecto nas suas
pescarias, dedicando-lhe tal
amizade que, a bordo, era considerado
como seu hóspede.

Dessa ligação ficaram conhecidos
alguns episódios interessantes,
como aquele que a
seguir contamos tal como
sempre
o ouvimos.
Um dia, o arrais Diogo lembrou-se de oferecer a D. Carlos
um belo imperador que pescara
na sua barca.
Para tanto, dirigiu-se ao iate
ancorado ao largo da baía
pedindo que a sua presença e
intenção fosse comunicada ao
rei. Este não se fez esperar e,
acompanhado do comandante
e outros oficiais do navio,
aproximou-se do visitante perguntando-lhe o nome do peixe
que trazia.
Saiba vossa majestade que
isto é um imperador, foi a
resposta.
Mudando de semblante e
com um tom de voz mais
grave
D. Carlos, fingindo-se
aborrecido, disse-lhe de imediato:
“Pois trata já de atirar
esse peixe ao mar porque,
aqui no reino, ninguém pode
ser mais do que eu”.
Visivelmente embaraçado,
Diogo
só percebeu que se tratara
de um dito de espírito do rei,
quando este, às gargalhadas,
lhe estendeu a mão para manifestar
o seu agradecimento.
Tendo falecido em 23 de
Março de 1927, com 64 anos
de idade, os seus restos mortais
encontram-se num ossário
do cemitério da vila, cuja
urna estava acompanhada de
um retrato do rei, que este lhe
oferecera com dedicatória.
Em sua homenagem a Câmara
Municipal denominou
“Rua Arrais Diogo” a velha
“Rua do Quebra-Costas”, actual
Rua D. Sancho I.
Também o Clube Naval de
Sesimbra, fundado poucos
anos depois, deu o seu nome
a um dos dois escaleres que
mandou construir para a
prática desportiva do remo.
Comemorando-se, no final
deste mês, o “Dia do Pescador”,
pareceu-me adequado
deixar aqui esta lembrança da
relação de proximidade que
um arrais sesimbrense manteve
com um Rei de Portugal.
Obs: Ao
elaborar esta página surgiu-me "á
lembrança", a história que ouvia contar,
quando menino e moço, de que os
primeiros sapatos a sério que o meu avô
Carlos "Guia (Pai)", quando ainda
jovem pescador, tinha usufruído,
foram-lhe ofertados pelo seu Rei
D.Carlos. [Orlando
Pinto]
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